A melancia
Tal qual se abrisse de repente o dia
emitindo uma intensa lumeirada
que pelo aço afiado foi rasgada
mostrou vermelha a carne a melancia.
Carmim incandescente parecia
a longa e deslumbrante navalhada
como boca de fogo, e liberada,
fresca e torrencial, a hemorragia.
Fatia trás fatia foi então caindo,
que a faca devagar foi dividindo
vivas para ilusão todas tão cruas.
Quando a mão separou cada segmento
foi o prato decorado num momento
dum círculo de sangue em meias luas.
Salvador Rueda
(1857-1933)
Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.