Os sinos
Eu as amo, eu as ouço,
como o murmúrio do vento,
tal qual ouço o som da fonte,
e o balido do cordeiro.
Como os passarinhos, eles,
quando aparece nos céus
do amanhecer um só raio,
cumprimentam com seus ecos.
E com prolongadas notas
espalham seu som sincero,
nas planícies, nas colinas,
pacífico e lisonjeiro.
Si eles calaram pra sempre...
Quão tristes ventos e céus!
Quanto silêncio na igreja,
esquisito a quem morreu!
Rosalía de Castro
(1837-1885)
Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.