Soneto à Lua
A Lua enquanto dormes te acompanha,
te ilumina o cabelo se está à frente,
e depois do semblante, lentamente,
ao seio vai e suas cumbres banha.
Eu, Lesbia, no umbral de sua entranha
não durmo, choro e rogo inutilmente,
e o curso dessa Lua reluzente
ditoso hei-de seguir se o amor amanha.
Hei-de entrar, tal qual Lua, no aposento,
vou andar onde repousas tal qual dela
e vou-me tal qual dela aproximar.
Tal qual dela vou aspirar o seu alento,
e, tal qual essa deusa branca e bela,
puro, trémulo e mudo me apartar.
José Somoza
(1781-1852)
Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.